sexta-feira, 17 de junho de 2011

Jovens se afastam de partidos e buscam web para fazer política


Pesquisa mostra que enquanto 59% dos jovens não têm preferência partidária, 71% consideram a internet uma ferramenta política

Os jovens brasileiros enxergam cada vez menos os partidos como uma opção para o engajamento político. Ao mesmo tempo, cada vez mais vêem a internet como ferramenta para esse tipo de mobilização. A conclusão resulta de uma pesquisa que ouviu brasileiros com idades entre 18 e 24 anos, segundo a qual 59% dos entrevistados afirmaram não ter nenhuma preferência partidária.

O dado consta do relatório completo do estudo, realizado em parceria entre a agência Box1824 e o instituto Datafolha. A pesquisa detalhada deve ser divulgada na próxima semana, de acordo com a agencia, mas os primeiros dados, revelados pelo jornal Folha de S. Paulo no início desta semana, já apontavam que 71% dos entrevistados consideram a web um meio para fazer política.

"Os jovens estão trocando partidos políticos por outras formas de atuação política. Não apenas uma, mas várias formas ao mesmo tempo. E a internet aparece como a principal delas", diz o pesquisador da Box e sociólogo Gabriel Milanez.
Para pesquisador, eventos como o 'churrasco de gente diferenciada' são exemplos de mobilização política dos jovens por meio das redes sociais.

O desinteresse dos jovens por partidos políticos aumenta na medida em que a renda dos entrevistados diminui. Entre os mais ricos e considerados de classe média, 57% dos entrevistados afirmaram não ter nenhum partido político. Já entre os mais pobres, esse número sobe para 66%. Na média, 59% não têm interesse por partidos.

Para Milanez, esse comportamento é uma tendência. "O jovem pensa num outro tipo de transformação social. A política institucional, de Brasília, partidária, não é como o jovem pensa. O jovem não entende mais que a solução virá lá de cima", analisa o pesquisador.
"É um novo modelo, onde não há hierarquia. Agora, são micro-revoluções, são ações do dia a dia. E os jovens se conectam a grupos diferentes por meio das mídias sociais. Como exemplos de manifestações simbólicas que nasceram pela internet e foram para as ruas, podemos lembrar o churrasco da gente diferenciada, a marcha da maconha, o movimento catraca livre e o Ficha Limpa", diz Milanez.

A pesquisa também concluiu que o jovem brasileiro está otimista com relação ao futuro. Dos entrevistados, 89% afirmam que têm mais orgulho do que vergonha de ser brasileiro. Apenas 9% acreditam que o Brasil está mudando para pior e 15% acreditam que o País não está mudando.

O otimismo é maior entre os jovens com maior grau de escolaridade. Entre os que têm ensino superior, 81% acreditam que o Brasil está mudando para melhor. Entre os que têm ensino fundamental, o número cai para 68%. Os homens também estão mais otimistas do que as mulheres. Do total de jovens mulheres participantes do estudo, 70% acreditam que o Brasil está mudando para melhor. Entre os homens, o número sobe para 80%.

A pesquisa foi realizada em 2010 em duas etapas. A primeira, qualitativa, teve 1.200 abordagens em universidades e organizações nas principais capitais do País. A segunda etapa, quantitativa, abrangeu 173 cidades em 23 Estados e ouviu 1.784 jovens de 18 a 24 anos. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais e para menos.

Fonte: IG / EntreRios Jornal

3 comentários:

Aldeir Félix Honorato disse...

Manifestações políticas alternativas e criativas são muito válidas, mas bem pouco efeito repercutem se não envolvem multidões.
Além disso, a forma mais eficaz de se mudar algo na política é ocupando os locais formais da política, ou seja, os partidos políticos e os cargos eletivos ou comissionados da administração pública em suas diversas instituições.
Se o jovem quer realmente fazer a diferença, tem de se engajar nos partidos.
Não adianta ficar só no mundo virtual reclamando.
Tem que vir para o mundo real e ocupar os espaços de poder instituído, porque é ali que são tomadas as decisões que afetam a sociedade e onde nosso dinheiro público é gasto.
Acreditar que a internet por si só vai mudar as coisas é, no mínimo, ingenuidade, senão alienação.

Equipe da Juventude Ativa de Paraiba do Sul disse...

Concordo plenamente Aldeir, acredito muito numa citação de Gandhi que diz "Você deve ser a mudança que quer ver no mundo".

Como você mencionou não adianta ficarmos inérces, esperando que o próximo aja que a mudança começe pelo outro.

Chega de ficarmos parados, aceitando essa realidade que tem nos sido imposta nos últimos anos.

O debate tem que ser gerado,mas não pode ficar tão somente na teoria tem que partir para a ação, para a prática.

Forte Abraço
Tiago Martins

Juventude Ativa

Maninho Magdalena disse...

Isso aê galera!!!
Vamos buscar um partido que nos dê a chance de concorrer acima de tudo.
Tá na hora de concretizar a mudança que queremos em nossa cidade.
Forte abraço e vamos que vamos!!