sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Uma das melhores pistas de Downhill do estado, Pista da Salutaris vira matéria em revista

 Por Frederico Nogueira e Rafael Moraes 

Nascido na Califórnia, Estados Unidos, o Downhill é um esporte radical onde o atleta precisa descer montanhas com vários obstáculos no caminho em tempos curtos. Em pouco tempo, a modalidade se espalhou pelo mundo e ganhou vários adeptos, com bicicletas e equipamentos que podem custar mais de R$ 15 mil. No estado do Rio de Janeiro, uma das pistas está onde muita gente nem imagina: no Parque Salutaris, em Paraíba do Sul.

A cidade tem uma descida com aproximadamente 1.200 metros, há menos de 1 km do centro da cidade. Um dos responsáveis pela construção do caminho foi Luis Cláudio Pureza do Nascimento, o Kati, comerciante sul-paraibano e praticante de ciclismo desde a infância. “Eu tive a ideia de construir o trajeto de Paraíba do Sul há mais de dez anos. Alguns amigos me ajudaram e, hoje, só cuido, buscando o aperfeiçoamento a cada ano”, diz ele, que, há dois anos, quando operou duas hérnias de disco lombares e sofreu uma luxação esternoclavicular, não participa de competições.

Para Kati, cada rota de descida é única e, a de Paraíba, tem características que a fazem ser considerada uma das melhores do país. “Já competi em várias cidades e nunca são iguais. As rotas dentro de floresta são as mais perigosas, como em Petrópolis, Nova Friburgo e Campos do Jordão, pois sempre tem árvores no meio do caminho e raízes altamente escorregadias”, completa.


Quem compartilha a mesma opinião é o atleta Alexandre Theophilo da Silva, praticante de Moutain Bike e Downhill há mais de 10 anos. “A diferença é sempre o tipo de solo. Esta tem muitas pedras e é bastante inclinada, mas tento regular a bike para um melhor rendimento”, diz ele que, além de usar o trajeto para treinar, faz dele um passeio, já que “do topo do morro, o visual é muito bonito”.

Recém chegado, o mecânico Herlon Gabriel Coutinho está há pouco mais de um ano no Downhill. “Uso a pista para treinar. É muito técnica, o que me ajuda na hora de encarar competições em outros lugares. Acredito que qualquer um que esteja disposto a treinar, consegue bons resultados no esporte, basta dedicação”, diz o novo atleta que, com pouco tempo, já possui bons resultados em competições estaduais.

Bons resultados, aliás, é o que não faltam a nenhum deles. Kati foi o vencedor da primeira prova de Cross Country em Campos do Jordão no estado de São Paulo em dezembro de 1988. Ele é também Campeão da categoria Master B do Downhill Rio 2006. Alexandre Theophilo ficou com o primeiro lugar na categoria Elite do IV Downhill Astolfo Dutra, que aconteceu em agosto. Já Gabriel conseguiu o terceiro lugar da categoria Juvenil na 6ª Etapa do Carioca de Downhill em Rio das Flores.

Caio Rudá, montador de bicicleta, usa o trajeto para treinar e já conseguiu um importante título no esporte. Foi vice-campeão brasileiro de Downhill em 2010 na categoria S30. Para ele, o esporte, além de troféus e medalhas, proporciona conquistas “tão legais quanto estas, que são as amizades e o respeito”.

Quanto ao que ainda falta na pista, os atletas tem o mesmo pensamento. “O ideal seria a construção de um teleférico para levar os atletas até o topo, onde acontece a largada. Com isso, Paraíba do Sul se tornaria uma cidade realmente turística”, diz Kati. Para Rudá ainda “falta apoio financeiro para buscar novas conquistas”, realidade de grande parte dos esportistas no país.

Montanha das Olimpíadas
Segundo o assessor de esporte da Secretaria de Educação, Esporte e Lazer de Paraíba do Sul, Denis Pereira Mendes, o trajeto está aberto a quem quiser praticar. “O Parque Salutaris, onde está a descida, pertence à prefeitura e tem guardas que dão segurança ao local. Hoje, a cidade tem muitos jovens adeptos ao esporte”, conclui.

A cidade sul-paraibana ainda pode participar diretamente nos Jogos Olímpicos de 2016. “Estamos na fase de seleção das cidades para pré-treinamento das equipes que participarão dos jogos. Se passarmos vamos fazer publicidade para vender nossos espaços, a partir de janeiro, aos países que tem as modalidades que podem ser praticadas aqui. Dentre elas estão o Cross Country e BMX. A pista de Cross nós já temos e a de BMX vamos construir se formos selecionados”, disse Andréia Pereira, coordenadora de esportes sobre outras modalidades exploradas por atletas locais. Até o fechamento desta edição, o resultado da seleção não havia sido divulgado.



Fonte: Revista On

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