quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Amor às águas Sul-paraibanas. Conheça o trabalho da Patrulha Fluvial do município

Vistoriar todo o trecho entre a divisa com Vassouras e Três Rios é responsabilidade da patrulha fluvial (Revista On)

Segundo estatísticas realizadas pela guarda fluvial sul-paraibana, só em 2010 foram retirados 950 sacos de lixo com isopor, chinelo, sapato, garrafa pet, brinquedos, entre outros. Foi realizada a soltura de 2.000 peixes juvenis que mediam de 13cm a 15cm. Foram plantadas 2.031 mudas de ingá, jamelão e sangue de adraga. Dez capivaras foram recolhidas, frutos da caça predatória, e 29 redes de pesca ilegal foram apreendidas.

Pelos números, a conclusão é clara: Em tempos de desmatamento, poluição e queimadas, encontrar cidadãos que cuidam da natureza é algo que chama a atenção.  Em Paraíba do Sul, quatro guardas fluviais são responsáveis por manter as margens limpas. Eles realizam mutirões para retirar o lixo que vem de fora, fiscalizam atividades ilegais e zelam pelo bem estar da flora e da fauna na região.

Criada em 27 de agosto de 2003 com o objetivo principal de preservar o rio e os recursos naturais, a patrulha fluvial composta por José Adyr, Rodnei Alves, Shirley da Silva e Manoel Rivello, contribui para o bem do meio ambiente. As ações desenvolvidas pelos inspetores beneficiam não só as pessoas, que respiram um ar mais saudável, como também os animais que se sentem seguros naquele lugar.

O secretário de Meio Ambiente e Defesa Civil, Luiz Carlos Garrido, conta que em maio de 2007 foi assinada a lei municipal 2.553. Ela garante a proibição da caça e pesca predatória, além de dar poder à guarda fluvial de coibir essas práticas. “Eles apreendem material de caça ilegal, patrulham o rio nos seus 32 km, entre a divisa de Vassouras e Três Rios. Contam com o apoio de pessoas que fazem denúncias e facilitam o trabalho da equipe”, diz Garrido.

Segundo José Adyr, muitas pessoas abusavam na localidade. “Aqui tinha muita gente que explorava a pesca como renda complementar”, comenta. Quando a patrulha recebe denúncia, eles possuem o apoio da polícia militar. “É um serviço de grande importância, pois eles também fiscalizam toda e qualquer atividade que acontece nas margens do rio e das ilhas, como construções irregulares, desmatamento, poluição, etc.”, acrescenta o secretário Luis Carlos.

Além disso, os guardas cuidam do reflorestamento no entorno do rio e da recuperação da mata ciliar. Periodicamente, é realizado um mutirão de limpeza nas margens do rio com o apoio de voluntários. No período de cheias dos rios, a guarda ainda dá apoio às famílias ribeirinhas e conta com a ajuda do corpo de bombeiros. “No caso de acidentes e afogamento, nós também auxiliamos a Defesa Civil e a polícia”, complementa José Adyr.

Em 2009 houve a invasão de garimpeiros em locais onde não há acesso por terra. De acordo com Garrido, para a retirada das embarcações, a patrulha foi fundamental.

Na região, a guarda conta com o ajuda da população que encara com muita simpatia o trabalho realizado por eles. Quando as pessoas são pegas jogando lixos no rio ou poluindo, os profissionais têm o poder de notificar o cidadão e comunicar a fiscalização. “Eles estão sempre atuantes e fazem com que a comunidade se sinta mais segura para um passeio de barco ou uma atividade de lazer em volta do rio, porque sabem que se acontecer um imprevisto eles podem contar com a segurança da guarda fluvial”, diz Garrido que acredita na fiscalização como forma de prevenção de delitos.
 
Guardas Fluviais junto ao secretário de Meio Ambiente de Paraíba do Sul (Foto: Revista On)
Guardas Fluviais junto ao secretário de Meio Ambiente de Paraíba do Sul (Foto: Revista On)
Josenir de Freitas, 73, é aposentado e um dos pescadores do rio, ele diz que pratica a atividade de forma legal desde que era criança. “Toda folga que tenho, estou dentro d’água. Pesco 3 kg de peixes por semana que servem para o consumo”, conta.
As multas para quem infringir a lei da caça e da pesca são pesadas e podem chegar a R$ 3.500 se a guarda florestal for comunicada.

Rodnei afirma que o trabalho é bem dinâmico. Para ele, a questão da prevenção a crimes ambientais e atividades irregulares que degradam o meio ambiente é satisfatória. Já Manoel acredita que é importante o auxílio que a equipe presta aos pescadores e a limpeza que realizam. Shirley está há cinco meses no grupo e é a única mulher. Quanto ao trabalho, garantiu não ter medo de água. “Já conhecia o trabalho realizado pela patrulha antes e gosto de estar aqui. Quando fui chamada não pensei duas vezes”, diz.

O comandante, Paulo Celso Soares da Silva, também é a favor e elogia o trabalho da equipe. “A meu ver, é uma atividade de muita importância para o município, pois, além de estar atenta às oscilações do rio Paraíba do Sul, ela também previne que a população retire árvores em volta do rio e fazem o plantio de mudas. Alguns dos nossos guardas municipais trabalham na patrulha”, explicou.

De acordo com José Adyr, para ser membro da guarda é necessário ter o perfil, gostar da natureza, saber nadar e ter paixão pela preservação. O secretário de Meio Ambiente Luis Carlos, acredita que: “Se cada cidade tomasse conta do seu trecho do rio, na totalidade, ele estaria mais preservado”.

E para encerrar nas palavras de Josemar Coimbra: “E você que joga no rio / Entulho, lixo e sujeira/ Pense sempre duas vezes / Antes de fazer a besteira / Levante alto sua voz / Da nascente até a foz / Da Bacaína a Mantiqueira.”

O trabalho realizado pela equipe contribui para um meio ambiente mais puro (Foto: Revista On)
O trabalho realizado pela equipe contribui para um meio ambiente mais puro (Foto: Revista On)
Rio Paraíba do Sul
O rio Paraíba do Sul  banha os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Formado pela ligação dos rios Paraitinga e Paraibuna, tem sua nascente mais afastada da foz, na Serra da Bocaína, em São Paulo, com o nome de rio Paraitinga. Ele recebe o nome Paraíba do Sul na confluência com o Paraibuna, na represa.

O Paraíba do Sul percorre um total de 1.137 km, desde a nascente até a foz em Atafona (São João da Barra), no norte fluminense. 

Foi no Paraíba do Sul que encontraram a estátua de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em meados de 1717.

Por Aline Rickly / REVISTA ON

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